{"id":5897,"date":"2013-12-09T20:40:54","date_gmt":"2013-12-09T20:40:54","guid":{"rendered":"http:\/\/sperandio.org\/?p=5864"},"modified":"2021-01-24T22:26:20","modified_gmt":"2021-01-25T01:26:20","slug":"todo-filho-e-pai-da-morte-de-seu-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/2013\/12\/09\/todo-filho-e-pai-da-morte-de-seu-pai\/","title":{"rendered":"\u00abTODO FILHO \u00c9 PAI DA MORTE DE SEU PAI\u00bb"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"5897\" class=\"elementor elementor-5897\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-23dd51b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"23dd51b\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-e80a4aa\" data-id=\"e80a4aa\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-426c6d1 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"426c6d1\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"872\" src=\"https:\/\/sperandio.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pai.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-11201\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/sperandio.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pai.jpg 900w, https:\/\/sperandio.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pai-268x300.jpg 268w, https:\/\/sperandio.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pai-768x858.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-18b21f5e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"18b21f5e\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1e321c0a\" data-id=\"1e321c0a\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-41e1665 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"41e1665\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abFeliz do filho que \u00e9 pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e n\u00e3o se despede um pouco por dia.\u00bb<\/strong><\/p><\/blockquote><p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><em>Por Fabr\u00edcio Carpinejar\u00a0<\/em><\/p><p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma quebra na hist\u00f3ria familiar onde as idades se acumulam e se sobrep\u00f5em e a ordem natural n\u00e3o tem sentido: \u00e9 quando o filho se torna pai de seu pai. \u00c9 quando o pai envelhece e come\u00e7a a trotear como se estivesse dentro de uma n\u00e9voa. Lento, devagar, impreciso. \u00c9 quando aquele pai que segurava com for\u00e7a nossa m\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o tem como se levantar sozinho. \u00c9 quando aquele pai, outrora firme e instranspon\u00edvel, enfraquece de vez e demora o dobro da respira\u00e7\u00e3o para sair de seu lugar. \u00c9 quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje s\u00f3 suspira, s\u00f3 geme, s\u00f3 procura onde \u00e9 a porta e onde \u00e9 a janela \u2013 tudo \u00e9 corredor, tudo \u00e9 longe. \u00c9 quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua pr\u00f3pria roupa e n\u00e3o lembrar\u00e1 de seus rem\u00e9dios.<\/p><p style=\"text-align: justify;\">E n\u00f3s, como filhos, n\u00e3o faremos outra coisa sen\u00e3o trocar de papel e aceitar que somos respons\u00e1veis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.<\/p><p style=\"text-align: justify;\">Todo filho \u00e9 pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da m\u00e3e seja curiosamente nossa \u00faltima gravidez. Nosso \u00faltimo ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de d\u00e9cadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.<\/p><p style=\"text-align: justify;\">E assim como mudamos a casa para atender nossos beb\u00eas, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos m\u00f3veis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transforma\u00e7\u00f5es acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de p\u00f4r uma barra no box do chuveiro. A barra \u00e9 emblem\u00e1tica. A barra \u00e9 simb\u00f3lica. A barra \u00e9 inaugurar um cotovelo das \u00e1guas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora \u00e9 um temporal para os p\u00e9s idosos de nossos protetores. N\u00e3o podemos abandon\u00e1-los em nenhum momento, inventaremos nossos bra\u00e7os nas paredes.<\/p><p style=\"text-align: justify;\">A casa de quem cuida dos pais tem bra\u00e7os dos filhos pelas paredes. Nossos bra\u00e7os estar\u00e3o espalhados, sob a forma de corrim\u00f5es. Pois envelhecer \u00e9 andar de m\u00e3os dadas com os objetos, envelhecer \u00e9 subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa resid\u00eancia. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com d\u00favida e preocupa\u00e7\u00e3o. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como n\u00e3o previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sof\u00e1s, das est\u00e1tuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obst\u00e1culo e tapete.<br \/>E feliz do filho que \u00e9 pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e n\u00e3o se despede um pouco por dia.<\/p><p style=\"text-align: justify;\">Meu amigo Jos\u00e9 Klein acompanhou o pai at\u00e9 seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os len\u00e7\u00f3is, quando Z\u00e9 gritou de sua cadeira: \u2013 Deixa que eu ajudo. Reuniu suas for\u00e7as e pegou pela primeira vez seu pai no colo. Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo c\u00e2ncer: pequeno, enrugado, fr\u00e1gil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente \u00e0 sua inf\u00e2ncia, um tempo equivalente \u00e0 sua adolesc\u00eancia, um bom tempo, um tempo intermin\u00e1vel. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrando: \u2013 Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida \u00e9 que seu filho est\u00e1 ali.<\/p><p style=\"text-align: right;\">Publicado no jornal\u00a0 Zero Hora Revista Donna \u00a0p.6<br \/>Porto Alegre-RS, 06\/10\/2013 Edi\u00e7\u00e3o N\u00b0 17575).<\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>Fabr\u00edcio Carpinejar<\/em><br \/><em> E-mail: <a href=\"mailto:carpinejar@terra.com.br\">carpinejar@terra.com.br<\/a><\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abFeliz do filho que \u00e9 pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e n\u00e3o se despede um pouco por dia.\u00bb Por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10,11],"tags":[],"class_list":["post-5897","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-n-e-w-s","category-para-meditar"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5897"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11208,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5897\/revisions\/11208"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sperandio.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}